sábado, 14 de abril de 2007

A rede

Estava deitado na rede. A rede balançava. Olhava para a lâmpada. Tudo se mexia, a lâmpada não. Ele se mexia, olhar fixo na lâmpada, que ficava no mesmo lugar.

Pensava.

Ela o amara? Não parecia dar a mínima para ele. Parecia preferir o resto do mundo a ele. Qualquer ser desprezível encontrado por aí. Menos ele. Parecia querer fazê-lo inveja. Talvez. Era muito otimista. Como ela queria fazê-lo inveja. Na cara o odiava. Mas por quê? Ele nunca a fizera mal nenhum.

Existem pessoas assim, cismam. Cisma é inevitável, irreversível e inexplicável. Terrível. Ela teria cismado com ele? Não parecia. Sequer se falavam, definitivamente não era.

Definitivamente? Será que isso existe? Tudo é definitivo até que algo o mude, então deixa de ser definitivo. Sendo definitivo algo eterno e nada sendo definitivo, definitivo (a palavra) não deveria existir. Assim como eterno. Mas se não existisse, ninguém iria tentar fazer algo definitivo (ou mesmo que tentasse, não iria saber que tentava). O seu pensamento, a exemplo: ele tenta fazê-lo definitivo, mas não dura mais de 1 minuto com a mesma idéia sem contrapô-la.

Suas idéias. Bestas. Não pensava em nada que outra pessoa se importasse. Mas ele pensava. Tentava pensar. Pensava? Aquilo poderia ser pensamento. Algo trivial que ele pensa, sem dúvida, mas nada importante que valha ser pensado. Mas ele pensava. Para ele era um pensamento.

Ele cansou, se levantou, saiu da rede.

3 comentários:

Anônimo disse...

Que inveja do seu serviço de comentários! Quero um desse pra mim!

Nem sei o que dizer do seu post... por um lado tá legal, porque eu já disse que gosto do seu jeito de escrever, por outro, bom... tá bem mais confuso do que as coisas que eu costumo escrever! Resumindo: não consegui entender nada!

Bjos!! ;***

Anônimo disse...

E escrevi um comentário mais confuso ainda!

Anônimo disse...

Consideraria um post um tanto quanto existencial se vc quer saber. Existencial e crítico. E se quer saber, acho que fugiu um pouco do foco humorístico do seu blog... Mas por um lado ficou mais completo também, apesar de um pouco confuso
ps: nossa mãe, fiquei parecendo um crítico de arte falando isso